© Marcello Casal JrAgência Brasil
Essa serĂĄ a quarta elevação consecutiva da Selic. Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa bĂĄsica deve subir 1 ponto percentual nesta reunião, de 12,25% para 13,25% ao ano.
Nesta quarta-feira (29), ao fim do dia, o Copom anunciarĂĄ a decisão. Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e uma de 1 ponto percentual.
Na ata da reunião mais recente, o Copom alertou para o prolongamento do ciclo de alta da Taxa Selic . O órgão informou que o cenĂĄrio econômico exige uma polĂtica monetĂĄria contracionista e confirmou a intenção de duas elevações de 1 ponto. O Banco Central citou a alta recente do dólar e da inflação para uma "polĂtica ainda mais contracionista".
Segundo o Ășltimo boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, a estimativa de inflação para 2025 subiu de 4,96% hĂĄ quatro semanas para 5,5%. Isso representa inflação acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho MonetĂĄrio Nacional (CMN), de 3% para este ano, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.
A taxa bĂĄsica de juros é usada nas negociações de tĂtulos pĂșblicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referĂȘncia para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo tĂtulos pĂșblicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.
Quando o Copom aumenta a taxa bĂĄsica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplĂȘncia, lucro e despesas administrativas.
Ao reduzir a Selic, a tendĂȘncia é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
O Copom reĂșne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.
Pelo novo sistema de meta contĂnua em vigor a partir deste mĂȘs, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho MonetĂĄrio Nacional, é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No modelo de meta contĂnua, a meta passa ser apurada mĂȘs a mĂȘs, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em janeiro de 2025, a inflação desde fevereiro de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em fevereiro, o procedimento se repete, com apuração a partir de março de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao Ăndice fechado de dezembro de cada ano.
No Ășltimo Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetĂĄria manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,5%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório serĂĄ divulgado no fim de março.
Fonte: EBC